Artur Jorge aponta problemas, fala sobre buscar “consistência” e elogia torcida

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O Cruzeiro saiu derrotado no clássico diante do Atlético Mineiro por 3 a 1, na noite deste sábado (2), no Mineirão, em partida válida pela 14ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. Após o confronto, o técnico Artur Jorge concedeu entrevista coletiva e fez uma análise detalhada do desempenho da equipe celeste, apontando falhas determinantes para o revés.

Logo na abertura, o treinador destacou o apoio vindo das arquibancadas e lamentou não ter correspondido dentro de campo. Segundo ele, o Cruzeiro teve momentos de domínio, mas não soube traduzi-los em vantagem no placar.

“Começar por dizer que o melhor do jogo foi a nossa torcida. Mais uma vez um comportamento extraordinário. Lamentamos que o resultado não foi o que eles mereciam. Sobre o campo, o momento era nosso, mais que do adversário. E não fomos inteligentes para aproveitar esse momento. Fomos uma equipe que acabou que teve o domínio do jogo, mas pouco ou nada vale pelo resultado, que é negativo pra nós. Mas acabamos por permitir no primeiro tempo possuir uma vantagem confortável. Passamos o jogo todo atrás do resultado, atrás do prejuízo. Na parte final perdemos o controle emocional, acho que nos faltou clareza com bola, porque os jogadores se empenharam, mas o esforço não foi igual a qualidade que poderia ter sido.”

Artur Jorge também chamou atenção para a necessidade de maior regularidade da equipe, especialmente em jogos de maior peso. Para o técnico, o Cruzeiro ainda busca um nível de consistência que permita transformar desempenho em resultados.

“O que eu digo é que nós temos que encontrar um caminho de consistência pra sermos mais regulares no que é o resultado, desempenho, performance e sobretudo ganhar. É isso que nos baliza, nos faz acrescentar outros parâmetros como confiança. Hoje não aconteceu.”

Ao abordar os problemas apresentados na partida, o comandante destacou falhas nas transições defensivas e na gestão dos momentos do jogo. Ele citou, inclusive, lances específicos que originaram os gols do adversário.

“Nós temos que ter o controle desses momentos. Os momentos que temos com bola, temos a capacidade de ser equilibrados e nos preparar para o momento da perda. Duas transições do adversário, a segunda nasce de um arremesso lateral nosso na área contrária, a outra é um passe em profundidade que explora as costas da linha defensiva. Temos que ter essa capacidade de controlar o espaço que fica nas nossas costas. Hoje, por não fazermos uma falta, poderíamos ter acabado a saída do adversário.”

Questionado sobre mudanças na equipe, especialmente pelo lado direito, com a entrada de Kauã Moraes, Artur Jorge evitou individualizar decisões, destacando que as escolhas são feitas de acordo com o equilíbrio entre ataque e defesa.

“Não tenho que responder porque escolhi jogador A, B ou C. Em relação às alterações que temos feitos, já começamos com William, Fagner, Kauã. O Arroyo foi sempre o mais utilizado na frente, tem a ver com a profundidade que os laterais conseguem dar. Fagner nos dá mais equilíbrio defensivo, mas menos ofensivo, quando projetamos o Arroyo, temos que ter um lateral que é capaz de fazer todo o corredor. Não é indicador do que são os resultado.”

O treinador ainda voltou a falar sobre a origem dos problemas defensivos, ressaltando a falta de controle emocional em momentos chave da partida.

“Num primeiro momento, tivemos um controle da profundidade que nos obrigou a ter o Romero cobrindo as costas do nosso lateral. Depois que perdemos esse duelo, há um salto e um ganho pra finalizar próximo da linha de gol. E o segundo deve-se ao fato de não termos feito uma falta na saída contrária, onde a jogada tinha que terminar ali e o adversário não tivesse 70 metros pra correr em direção ao nosso gol. Essa questão do controle emocional, que deveria ter sido maior da nossa parte, porque o momento era nosso. Mas, no jogo, esse momento desapareceu.”

Sem tempo para lamentações, o Cruzeiro volta suas atenções para a disputa da Libertadores. Artur Jorge pregou foco no próximo compromisso e destacou a necessidade de rápida recuperação emocional.

“Não temos tempo para ficarmos presos a resultados. Cada uma das competições exige muito de nós. Temos um desempenho que vem crescendo e estes resultados podem ser percalços, momentos de jogo, circunstâncias, contextual, há muita formas de olhar pra esse resultado. O que nós temos é que continuar, levantarmos a cabeça. Ninguém está satisfeito com o resultado e ninguém pode estar. Mas temos que olhar pra frente. É um caminho longo, desafiador, temos um jogo pela Libertadores num grupo difícil, preso por detalhes. Voltaremos depois ao Campeonato, à Copa. Agora, não podemos ficar condicionados pela questão desse resultado.”

Por fim, o treinador voltou a enaltecer o comportamento da torcida e reforçou o compromisso do elenco em dar uma resposta imediata.

“Essa é a nossa obrigação e nosso compromisso. Uma das nossa missões. Eu falei de forma honesta, que me custa mais ter o resultado adverso, porque sei que carregamos a esperança de muitos torcedores e o que nos deram. A torcida mostrou estar ligada ao elenco, o que nos obriga a comprometer de forma clara.”

Com o resultado, o Cruzeiro segue sua caminhada no Campeonato Brasileiro pressionado por maior regularidade, enquanto tenta virar a chave rapidamente para o próximo desafio continental.

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