O técnico Artur Jorge analisou as movimentações do Cruzeiro na segunda janela de transferências de 2026 e destacou o impacto das saídas de Kaiki Bruno e Christian no funcionamento da equipe. Em entrevista à Samuca TV, concedida nesta terça-feira, o treinador também explicou as escolhas para repor as perdas, as limitações orçamentárias do clube e a redução da utilização do elenco após a mudança no calendário de jogos.
Na avaliação de Artur Jorge, o mercado tirou do Cruzeiro dois jogadores importantes para o equilíbrio defensivo. Kaiki foi negociado com o Como 1907, da Itália, enquanto Christian seguiu para o Krasnodar, da Rússia. Juntas, as operações ultrapassaram R$ 136 milhões.
“Consigo fazer uma análise com alguns pontos de interesse: O mercado nos tirou dois jogadores importantíssimos na manobra defensiva da equipe. Tirou-nos o Kaiki e o Christian. O Kaiki hoje ainda é o jogador com mais recuperações de bola do Cruzeiro, não sei se mudou, e já não joga há três meses. O Christian era um jogador importantíssimo no sistema defensivo na forma que equilibrava, como era capaz de fazer muitas vezes um terceiro médio dentro do meio-campo do Cruzeiro e tivemos esses dois jogadores que saíram.”
Artur Jorge explica contratações de Gabriel Rojas e Gabriel Pec
Para suprir as saídas, o Cruzeiro buscou reforços para as laterais e para o setor ofensivo. Gabriel Rojas chegou em definitivo após passagem pelo Racing, da Argentina, enquanto Gabriel Pec foi contratado junto ao Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, por US$ 12 milhões.
O treinador explicou que Rojas precisou de tempo para se adaptar ao ritmo de jogos do futebol brasileiro. Já Pec foi uma aposta pessoal de Artur Jorge, que destacou a possibilidade de utilizar o atacante pelos dois lados do campo, mesmo após a saída de Christian.
“Fomos buscar para a posição imediata o Gabi (Gabriel Rojas), que precisou de um período de adaptação, que vinha a jogar no Racing uma vez por semana, sentiu dificuldades para o momento de constância de desempenho em cima de sequência de jogos de três a quatro dias, e fomos buscar uma aposta muito pessoal minha, de um investimento considerável, de buscar o Pec para poder ser mais um jogador de corredor, e perdendo o Christian, ainda que lados opostos, conseguimos utilizá-lo nos dois lados. E fecho bem nessa primeira metade da janela.”
Lesões de Sinisterra e Pec dificultaram planejamento
Na segunda parte da janela, o Cruzeiro sofreu novas perdas no setor ofensivo. Sinisterra voltou a ficar indisponível por lesão, enquanto Gabriel Pec também deixou de estar à disposição. Segundo Artur Jorge, a ausência dos dois jogadores em um intervalo de apenas uma semana exigiu novas movimentações no mercado.
O treinador ressaltou, porém, que as reposições precisavam respeitar as condições financeiras do clube. Nesse cenário, chegaram Wesley, por empréstimo do Al-Nassr, e João Costa, vindo da Roma, da Itália, após um período emprestado no futebol árabe.
“A segunda metade é onde perdemos o Sinisterra por lesão, e desde que está no Cruzeiro o maior tempo de participação de jogo dele foi feito sob o nosso comando, e perdemos o Pec. Em uma semana só, dois jogos, perdemos dois jogadores importantíssimos e influentes, que mexem na equipe naquilo que é estrutura, mas também desempenho individual e coletivo. Tivemos a necessidade de procurar, preencher essa necessidade com os jogadores, mas sem budget (orçamento). Precisamos encontrar soluções viáveis e confiáveis, mas não nos desequilibrassem financeiramente. Fomos buscar o João Costa e o Wesley. O Wesley mais conhecedor do futebol brasileiro e que precisava dar um passo atrás, que tem um potencial enorme, e o João que era menos conhecido e se apresentou como uma alternativa viável para o preenchimento imediato da posição.”
Além dos dois atacantes, o clube contratou Matías Viña por empréstimo gratuito junto ao Flamengo, trouxe Zé Lucas, adquirido do Sport por R$ 25 milhões, e acertou o empréstimo de Luciano “Lucho”Rodríguez junto ao Neom, da Arábia Saudita.
Treinador aponta redução da utilização do elenco
Artur Jorge também relacionou o menor aproveitamento de parte do elenco à mudança na frequência dos jogos. Com o Cruzeiro passando a disputar uma partida por semana, o treinador afirmou que o grupo de atletas com maior minutagem ficou mais restrito, já que o intervalo maior entre os compromissos permitiu mais tempo de recuperação aos titulares.
A contratação de Lucho, segundo o técnico, também esteve ligada às lesões frequentes de Neiser. Artur Jorge avaliou que a redução do número de partidas diminuiu as oportunidades para distribuir minutos entre os jogadores e, consequentemente, a competitividade interna.
“Depois, veio um terceiro momento: passamos a jogar uma vez na semana. Trouxemos também o Lucho sem investimento nenhum, jogador de alternância porque o Neiser começou a ter lesões constantes. Isso impacta que haja menos tempo de outros jogadores serem utilizados, e com isso menos competitividade diária e de tempo de jogo. Se continuássemos a jogar de três em três dias, teríamos mais utilização de maior parte do elenco, quando reduzimos pra um jogo por semana e tempo mais que suficiente pra recuperar os jogadores, o círculo de jogadores com mais minutagem reduziu bastante”, finalizou o treinador.