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Análise: Hamilton e Verstappen chegam empatados a Abu Dhabi. Existe favorito ao título?

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Lewis Hamilton emendou a terceira vitória seguida após vencer o GP da Arábia Saudita e iguala os mesmos 369,5 pontos de Max Verstappen no Mundial 2021 da Fórmula 1. O circuito de Yas Marina, em Abu Dhabi, recebe a categoria no próximo dia 12 e será o palco da decisão do campeonato mais disputado dos últimos anos.

Para se ter uma ideia, é a segunda vez na história da F1 que o Mundial de Pilotos vai empatado para a última corrida da temporada. Na outra ocasião, em 1974, o brasileiro Emerson Fittipaldi assegurou o bicampeonato após superar Clay Regazzoni no último GP, em Watkins Glen, nos Estados Unidos.

Voltando para 2021, é muito difícil cravar quem será o campeão, afinal, a diferença de performance entre o carro da Red Bull e da Mercedes é mínima – se é que existe alguma. Além disso, tanto Hamilton quanto Verstappen presenteiam os fãs com atuações de gala e qualquer erro pode custar muito caro.

Mas existem alguns pontos a serem analisados para o Grande Prêmio de Abu Dhabi que podem favorecer tanto um lado quanto o outro. A começar pelo traçado da pista:

Até o final de 2020 o circuito de Yas Marina se destacava por ser muito ‘travado’, o que dificultava as ultrapassagens e deixava as corridas monótonas. Pensando nisso, alguns trechos da pista foram alterados e, de acordo com a fornecedora de pneu Pirelli, a previsão é que as voltas sejam até 14 segundos mais rápidas.

O antigo layout, com muitas curvas de baixa, casava melhor com o atual carro da Red Bull que, se comparado ao carro da Mercedes, possui mais pressão aerodinâmica e performa melhor em curvas de baixa velocidade. A nova alteração, no entanto, tende a favorecer o time alemão, que possui o motor mais forte da categoria e deve se destacar nas curvas de alta velocidade e nas retas longas, que contam com a abertura da asa móvel.

Mas nem tudo está perdido para o time dos energéticos. O último setor da pista de Abu Dhabi ainda possui curvas de baixa velocidade, o que pode ajudar Max Verstappen em momentos defensivos, como aconteceu na corrida do Brasil, por exemplo.

Ademais, na pista da Arábia Saudita, que tinha características benéficas a Mercedes, Verstappen teria feito a pole position com sobra no sábado, não fosse o erro cometido na última curva. Durante a corrida, Max não tinha o mesmo ritmo de Hamilton mas se mostrou competitivo. Por isso, a classificação pode ser crucial para o resultado final da corrida. Verstappen é muito bom em voltas lançadas e a Red Bull tem preparado o RB 16B muito bem para esse tipo de sessão. Além disso, vale lembrar que nos últimos anos quem largou na pole position em Yas Marina venceu a corrida.

Outro ponto que joga contra a Mercedes são os pneus. A Pirelli anunciou que vai levar a gama mais macia (C3,C4,C5) para Abu Dhabi, e o carro da Red Bull tem se comportado melhor com os compostos C5 e C4, principalmente. No GP da Rússia, por exemplo, quando Hamilton e Verstappen estavam calçados de médios, o ritmo do holandês era superior. As coisas só melhoraram para o inglês quando ele parou nos boxes e colocou os pneus mais duros disponíveis.

Por último, um elemento importante a ser observado é a temperatura ambiente. O modelo W12 não lida muito bem com o calor e tem um um desgaste maior do pneu nessas condições. Contudo, a temperatura no deserto costuma ser mais amena durante a noite, horário em que acontece a corrida, e a previsão é de que a máxima seja de 27º C.

Abu Dhabi, assim como outras etapas do ano, fornece informações interessantes para o desempenho de cada equipe mas ainda assim continua difícil cravar um favorito. O conjunto piloto/equipe que trabalhar melhor se sagrará campeão.

Se, eventualmente, os dois pilotos ficarem fora da zona de pontos ou não completarem a corrida, Verstappen se sagra campeão por ter uma vitória a mais que Hamilton na temporada.