A derrota do Cruzeiro por 1 a 0 para o Botafogo, neste domingo (26), no Mineirão, também levantou questionamentos sobre as opções utilizadas por Artur Jorge durante a partida. Com a necessidade de buscar o empate e, posteriormente, a virada, o treinador manteve em campo jogadores que não apresentavam grande rendimento ofensivo e optou por não lançar algumas das alternativas mais jovens que estavam à disposição no banco de reservas.
Entre os atletas relacionados estavam jogadores ofensivos formados nas categorias de base, como o meia-atacante Rhuan Gabriel e os atacantes de velocidade Felipe Morais e Rayan Lelis. Os três permaneceram no banco durante toda a partida e não foram utilizados pelo treinador português.
A escolha ganhou ainda mais atenção diante das atuações abaixo do esperado de Bruno Rodrigues, Wanderson e Marquinhos, jogadores que atuam justamente em setores do campo que poderiam ser ocupados por atletas mais jovens. Com o Cruzeiro atrás no placar e precisando aumentar o poder ofensivo, Artur Jorge foi questionado sobre a possibilidade de testar alternativas diferentes e explicou que as escolhas feitas durante a partida são de sua responsabilidade.
Segundo o treinador, a situação do jogo e o contexto de um resultado adverso não eram considerados ideais para lançar jogadores com menos de 19 anos. Artur Jorge afirmou que não enxerga os atletas em uma divisão entre titulares e reservas e defendeu que os jovens tenham suas oportunidades no momento considerado adequado.
“Fomos a jogo com aquilo que temos e é realidade do elenco que temos nessa altura. Não gosto de classificar sobre jogadores titulares ou reservas, são jogadores do Cruzeiro que levamos a jogo. As opções são minha responsabilidade. Procuramos e tentamos que tivéssemos mais sucesso do que tivemos, e quando me pergunta objetivamente sobre aquilo que são as opções de jogadores mais jovens. Numa situação de jogos como esse não me parece a melhor opção de colocar um jovem jogador numa situação que pode ser arriscado dependendo da forma que ele entrar em campo. Não temos a necessidade dessa altura de estar a abortar aquilo que é a potencialização desses jovens jogadores, que acredito pessoalmente e entendi que hoje dentro daquilo que foram as opções tomadas, seja o onze inicial ou os que entraram na segunda metade, são opções válidas pra mim.”
Até aqui, Bruno Rodrigues entrou em campo em 20 jogos desde o seu retorno ao Cruzeiro para a segunda passagem. Marcou um gol e deu duas assistências. Ainda mais contestados, Wanderson entrou em campo em 26 jogos, com dois gols marcados. Se somar com os 37 jogos de 2025, o atleta tem apenas dois tentos anotados pelo Cruzeiro. Já Marquinhos fez seu segundo jogo, sem gols ou assistências. O atleta tem 32 jogos pelo Cruzeiro, com um gol e uma assistência.
A explicação do treinador ocorre em um momento de dificuldades para o setor ofensivo do Cruzeiro. Durante a partida, a equipe encontrou problemas para transformar o volume de jogo em gols e voltou a desperdiçar oportunidades. A ausência de Matheus Pereira, suspenso, também reduziu as alternativas disponíveis para a criação, enquanto a lesão de Sinisterra durante o confronto diminuiu ainda mais as opções ofensivas.
Mesmo diante desse cenário, Artur Jorge preferiu manter a estratégia com os jogadores mais experientes que estavam à disposição. A decisão de não utilizar Rhuan Gabriel, Felipe Morais ou Rayan Lelis indica uma preferência do treinador por não expor os jovens em um momento de pressão, especialmente quando a equipe precisava reagir a um resultado negativo dentro de casa.
O português ainda ressaltou que o Cruzeiro já conta com jogadores formados no clube entre aqueles que vêm recebendo oportunidades no time principal. Na visão de Artur Jorge, a utilização dos atletas mais jovens deve respeitar o processo de desenvolvimento de cada um, sem que a necessidade imediata de um resultado seja o único critério para promover uma entrada em campo.
“No seu tempo e no tempo certo vão ter sua oportunidade. Hoje não me pareceu que fosse a oportunidade tendo em conta que era um resultado adverso entregar essa responsabilidade a jovens jogadores, que me refiro a jogadores abaixo de 19 anos. E quando falamos de base, estamos esquecendo que o Jonathan é da base, o Otávio é da base, o Jonathan é da base, jogadores que tem jogado e outros tem esperado de acordo com seu período de maturação para poder dar sua contribuição a equipe.”
A derrota para o Botafogo encerrou uma sequência de nove jogos de invencibilidade do Cruzeiro na temporada. A equipe celeste agora volta suas atenções para o Campeonato Brasileiro e enfrentará o Coritiba na quinta-feira (30), às 21h30 (de Brasília), no Couto Pereira, pela 21ª rodada.