O Cruzeiro conquistou mais três pontos importantes na Série A do Campeonato Brasileiro ao vencer o Red Bull Bragantino por 2 a 1, de virada, no Mineirão, pela 11ª rodada. Após a partida, o técnico Artur Jorge concedeu entrevista coletiva e fez uma análise detalhada da atuação celeste, destacando o merecimento da vitória, o comportamento da equipe e situações individuais ao longo do jogo.
Logo na abertura de sua avaliação, o treinador fez questão de exaltar o apoio vindo das arquibancadas e classificou o resultado como justo diante do que foi produzido em campo.
“Eu vou começar pelo fim: o apoio para todos nós. Uma equipe que precisa e merece. Merece muito mesmo. Fizemos um jogo bem conseguido, um resultado justíssimo, sem margem pra dúvida. Sofremos mais do que precisávamos, porque no primeiro tempo tivemos oportunidades que não concretizamos. Mas é normal. O resultado está próximo, o adversário também tenta e nós nos resguardamos um pouco mais. Deixamos de ter a bola na segunda parte. Isso não é nossa matriz de jogo, não é o que mais nos favorece. Mas conseguimos ser valentes, todos deram seu melhor, acrescentaram ao time. Um time que trabalhou pra conseguir esse resultado.”
Sem contar com Kaio Jorge, Artur Jorge ressaltou que o modelo de jogo da equipe não depende de uma peça específica, e que o elenco precisa estar preparado para lidar com ausências.
“Trabalhamos igual. Não trabalho em função de um jogador, mas de uma equipe. Temos que estar preparados para aquilo que são momentos que temos todo o elenco à disposição, e outro que não temos todos os jogadores. Não temos, perdemos o Kaio pra esse jogo, vamos ver para quarta-feira quantos temos, quais tempos e montar uma equipe competente que consiga ganhar outra vez.”
O treinador também abordou dois personagens centrais da partida: o goleiro Matheus Cunha, que falhou no gol adversário, e o atacante Neiser Villarreal, autor de um dos gols, mas que desperdiçou outras oportunidades claras. Artur Jorge minimizou qualquer impacto psicológico negativo e demonstrou confiança nos atletas.
“O que que você acha dessa equipe emocionalmente? Eu vejo uma equipe forte, agarrada à si própria, que sabe o que tem fazer. Que eu vejo como o jogo que fizemos no Equador, onde hoje, depois de muito que criamos e não concretizamos, mostra uma força mental da equipe. Não podemos fazer análise da parte psicológica sobre a crítica ou sobre o que é o desempenho momentâneo de um jogo. Obviamente nem passou pela minha cabeça tirar o Neiser, aquilo que ele criou foi o suficiente para justificar estar no segundo tempo. As oportunidades foram criadas, o volume apareceu. Falta definição, um pouco mais de calma, de qualidade em alguns momentos, claro que sim, mas não tem a ver com a parte psicológica. Neiser e Matheus são dois jogadores que trabalham lindamente, profissionais comprometidos e que são opções pra mim.”
Vivendo um bom início de trabalho à frente da equipe celeste, o treinador ressaltou a importância de transformar o bom desempenho em números ainda mais consistentes, especialmente no setor ofensivo.
“É potencializar o que temos feito de bom. Não só de volume de jogo ofensivo, mas um bom desempenho defensivo – exceção do jogo do São Paulo – mas a equipe tem tido um comportamento coletivo, nos diferentes momentos do jogo. Aquilo que nós queríamos fazer é potencializar esse momento, que os jogadores estão confiantes, pra superar também fisicamente. Isso é um desafio para nós. Eu tenho dito aos jogadores, nós temos que nos provar pra nós mesmos que somos capazes. O caminho que temos pra fazer.”
Ao explicar a manutenção da base da equipe e a entrada de Neiser como titular, o treinador foi direto ao destacar a busca por consistência.
“Consistência e competência do que fizemos no jogo anterior. Simples. E o Neiser, é a opção de ter dois atacantes disponíveis. Sabíamos que íamos criar espaço, que teríamos espaço, que iriamos aproveitar os movimentos nas costas da linha defensiva.”
Artur Jorge também comentou situações específicas do elenco. Sobre Walace, afastado por questões disciplinares, o treinador indicou que a decisão agora está nas mãos da diretoria.
“Conversei com o Walace sim. Ele afirmou que cometeu esse erro, que é público. Mas a esta altura, nada mais me diz respeito. Só me resta esperar o que a direção vai decidir. Conversamos de uma forma muito correta sobre o assunto. Agora, nem eu e nem ele temos que fazer mais nada.”
Já sobre Lucas Romero, em recuperação física, o técnico revelou cautela no processo de retorno.
“Sobre o Romero, eu espero que ele esteja pronto. Levamos ele pra São Paulo, porque pensamos que ele seria opção para o jogo no Equador. Estamos gerindo isso pra minimizar o impacto e a produção e a entrada dele seja feito de forma mais cuidada.”
Por fim, destacou o papel do jovem Arroyo, valorizando sua ousadia dentro de campo, mesmo com os riscos naturais.
“Nós podemos sempre aprimorar. Quem mais deve ter essa preocupação, é o jogador. Destaco a questão de ser um jogador jovem. Nós exigimos muito, mas são jogadores jovens que estão num processo de formação, de crescimento, serem ativos mais importante no próprio clube. Sobre deslocar no campo, me diz respeito e que eu entendo que pode ser mais último. Ele perder a bola mais vezes, é porque eu quero que ele perca mais vezes. Jogadores que tem que arriscar, tomar decisão de serem mais irreverentes, vão perder mais vezes, mas quando ganharem e passar, vão ser importantes na finalização das jogadas.”