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Mais uma visita, mais uma vitória: o Cruzeiro virou o maior pesadelo do anfitrião

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A Arena MRV já pode começar a preparar uma placa de identificação para o Cruzeiro. Afinal, a Raposa voltou a vencer na casa do Atlético, chegou à quarta vitória no estádio e deixou mais uma lembrança desagradável para a torcida alvinegra. Desta vez, foi por 1 a 0, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, com mais um gol de Kaio Jorge, que parece ter escolhido o adversário como cliente preferencial. São oito gols em 11 partidas contra o rival, além de duas assistências. Já não dá para chamar de coincidência. É quase uma especialidade.

E o Cruzeiro não precisou de muito tempo para mostrar que tinha ido a campo para vencer. Aos três minutos, depois de uma troca de passes envolvente, Arroyo apareceu pela direita e fez um cruzamento perfeito. O camisa 19 atacou a bola com personalidade, esticou a perna esquerda e completou para o fundo da rede. Um gol de oportunismo, técnica e confiança. Depois, ainda pediu silêncio à torcida atleticana e foi comemorar com os cruzeirenses que estavam naquele setor do estádio. O recado foi curto, mas o placar tratou de prolongá-lo pelos 90 minutos.

O primeiro tempo foi uma demonstração de como o time pode jogar quando encontra a formação e o funcionamento coletivo adequados. No 4-4-2, com Lucas Romero e Zé Lucas protegendo o meio-campo, a equipe teve intensidade, organização e capacidade de pressionar a saída de bola adversária. Não ficou esperando, não entregou o controle da partida e ainda criou oportunidades suficientes para construir uma vantagem bem maior. Gabriel Delfim precisou trabalhar bastante e fez grandes defesas. Matheus Pereira, Arroyo e o próprio Kaio Jorge tiveram chances para ampliar. O problema foi a pontaria: se metade das oportunidades tivesse sido aproveitada, o clássico poderia ter terminado muito antes do apito final.

O Atlético praticamente assistiu à Raposa jogar durante boa parte da etapa inicial. Os celestes ocuparam os espaços, ganharam as disputas e encontraram caminhos para chegar à área adversária. Romero e Zé Lucas foram fundamentais na marcação, enquanto os jogadores de frente conseguiam acelerar e criar situações de perigo. Foi uma atuação de muita personalidade, daquelas que fazem o torcedor pensar por que esse modelo não apareceu com mais frequência ao longo da temporada. O Cruzeiro mostrou repertório, força coletiva e condições de ser muito mais agressivo quando não abre mão de disputar o meio-campo. Por alguns momentos, parecia até que a Arena MRV tinha recebido os visitantes para um treino de imposição.

Na volta do intervalo, porém, Artur Jorge decidiu mexer. Zé Lucas, que já tinha cartão amarelo, deixou o campo, e Matheus Henrique entrou. A substituição acabou alterando o funcionamento do setor. A equipe perdeu força na marcação, deixou de pressionar com a mesma intensidade e permitiu que o rival avançasse suas linhas. O Atlético ganhou terreno, passou a controlar mais a posse de bola e encontrou espaço para trabalhar pelo meio. Matheus Henrique, mais uma vez, entrou mal e não conseguiu reproduzir o que o jovem volante vinha oferecendo. O time celeste recuou e passou a administrar uma vantagem que, pelo volume de jogo apresentado antes do intervalo, poderia ter sido muito mais confortável. A mudança quase transformou uma noite de tranquilidade em um exercício de paciência.

O domínio territorial alvinegro, entretanto, não se transformou em grandes oportunidades. Otávio praticamente não precisou fazer defesas espetaculares, ao contrário de Gabriel Delfim, que havia sido decisivo para impedir a ampliação do placar. E ainda houve a chance de acabar com qualquer discussão nos minutos finais. Depois de um grande passe de Kaio Jorge, Matheus Pereira ficou em condições de marcar, mas finalizou para fora. Seria o gol que encerraria a noite com ainda menos espaço para reclamações. Como não saiu, ficou a tensão até o apito final.

Mas o que importa é que o Cruzeiro venceu novamente na Arena MRV. O resultado levou a equipe aos 57 pontos, consolidou a terceira colocação e deixou o Atlético para trás, na sétima posição, com 50. A Raposa pode ampliar a distância para os concorrentes que vêm logo abaixo na classificação e deu mais um passo importante na direção do objetivo principal: garantir uma vaga direta na próxima Libertadores. Depois de uma temporada de altos e baixos, chegar à reta final dependendo das próprias forças para alcançar essa meta é algo que precisa ser valorizado. E, convenhamos, vencer na casa do maior rival sempre ajuda a melhorar o humor de qualquer campanha.

A vitória também deixa uma pergunta inevitável: por que o Cruzeiro não apresentou mais vezes o futebol do primeiro tempo? O esquema com dois atacantes, a pressão coordenada e a dupla de volantes funcionando deram à equipe uma consistência que fez diferença no clássico. Não se trata de imaginar que todos os adversários permitirão o mesmo espaço ou que uma formação resolverá todos os problemas. Mas o time mostrou que tem alternativas, pode jogar com intensidade e não precisa transformar cada partida em uma batalha de sobrevivência. Seria interessante guardar essa versão para os próximos compromissos, porque a temporada ainda tem um objetivo importante a ser alcançado.

E a próxima quinta-feira já tem cara de decisão. O Cruzeiro recebe o Bahia, no Mineirão, em um confronto direto pela parte de cima da tabela e pela disputa por uma vaga na Libertadores. É jogo para encher o estádio, empurrar a equipe e transformar a casa celeste em mais um aliado. A torcida já fez sua parte em tantos momentos da temporada. Agora, depois de vencer o maior rival na casa dele, o time precisa levar essa confiança para dentro de campo e confirmar a boa atuação diante de um adversário que também briga por espaço entre os primeiros. Não dá para deixar a empolgação do clássico virar apenas uma boa lembrança.

Cabulosas e o Sub-17

O próximo sábado, aliás, reserva duas decisões importantes para o Cruzeiro. A primeira delas terá as Cabulosas como protagonistas. Em sua primeira participação na Copa Libertadores Feminina, a equipe chegou à final invicta, com 100% de aproveitamento, e agora terá pela frente o Corinthians, atual campeão e maior vencedor da história do torneio. É um desafio enorme, mas a campanha já mostrou que as mineiras não chegaram à decisão para fazer figuração. A conquista pode representar um título inédito para o futebol feminino do clube. Que as meninas entrem em campo com a mesma personalidade demonstrada no clássico e façam o favoritismo adversário ter uma tarde bastante complicada.

Também no sábado, o Sub-17 começa a disputa do título do Campeonato Brasileiro da categoria contra o Corinthians, em São Paulo. Os garotos têm uma oportunidade importante e podem buscar inspiração no desempenho das equipes que já colocaram o clube em evidência nesta semana. São três frentes, três desafios e uma camisa que não precisa escolher qual delas merece mais atenção. O torcedor quer ver todas vencendo.

O time profissional deu o primeiro recado ao vencer o clássico, assumir a terceira colocação e reforçar sua candidatura a uma vaga direta na Libertadores. Agora, Cabulosas e garotos terão seus próprios desafios, com a possibilidade de transformar o sábado em mais um capítulo importante da história celeste.

Quanto ao anfitrião, talvez seja hora de rever algumas certezas sobre a tão falada vantagem de jogar em casa. O estádio tem dono no papel, mas a tranquilidade parece cada vez mais rara quando o visitante veste azul. A torcida celeste já conhece o caminho da comemoração por lá — e, pelo jeito, ainda não pretende parar de fazer visitas.