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Cruzeiro

Os reservas fizeram a parte deles. Agora, é com os titulares

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A Neo Química Arena virou escala antes do Maracanã. Com a Libertadores já ocupando espaço na cabeça de Artur Jorge, o técnico mesclou a equipe e preservou algumas de suas principais peças para quarta-feira. Otávio, Fagner, Jonathan Jesus e Romero estiveram em campo, mas a maioria dos jogadores recebeu uma oportunidade que normalmente não teria entre os titulares. Deu certo: 2 a 1 sobre o Corinthians, três pontos na conta e uma certeza importante antes da viagem ao Rio — o elenco está respondendo quando chamado.

E os gols vieram justamente de dois jogadores que precisavam mostrar serviço. Bruno Rodrigues marcou seu primeiro gol no Campeonato Brasileiro e mostrou que ainda pode ser útil ao Cruzeiro. Depois da cabeçada de João Costa, aproveitou o rebote e abriu o placar. Wanderson, que vinha perdendo espaço e chegou a ficar fora de algumas listas de relacionados, entrou no segundo tempo e virou protagonista. Recebeu um belo passe de Lucho Rodríguez, que fazia sua estreia, e cabeceou para decretar o 2 a 1. Dois jogadores que estavam longe de ocupar o centro das atenções terminaram a noite como os nomes da vitória.

Lucho Rodríguez, aliás, já chegou deixando cartão de visitas. Não marcou, mas participou diretamente do gol que decidiu a partida e mostrou personalidade logo na estreia. Recebeu a bola, levantou a cabeça e encontrou Wanderson na medida. Se os reforços começarem a responder assim, Artur Jorge pode ganhar um problema bom: ter jogador demais para escalar.

Fagner merece destaque. Foi seguro, experiente e voluntarioso, exatamente o tipo de jogador que sabe que uma partida dessas não precisa virar uma final de Libertadores. É preciso competir, administrar o esforço e não gastar mais energia do que o necessário. Jonathan Jesus também mostrou por que é tratado como zagueiro de Seleção. Seguro, firme e sem fazer da noite uma coleção de sustos.

E teve Romero. O argentino talvez seja um daqueles jogadores que o torcedor só percebe o tamanho quando ele não está. Contra o Flamengo, sua ausência foi sentida. Em São Paulo, mostrou novamente por que é tão importante para o funcionamento da equipe. Dá combate, organiza, protege e parece ter uma cláusula contratual que o obriga a aparecer justamente quando o time precisa respirar.

Zé Lucas também vai deixando de ser promessa para começar a virar realidade. O garoto tem personalidade, ocupa espaço, disputa bola e não parece ter recebido o comunicado de que ainda deveria estar intimidado por jogar entre profissionais. Aos poucos, vai mostrando que o meio-campo pode ter dono no futuro. E talvez não seja preciso esperar tanto para descobrir.

O Corinthians empatou e, por alguns minutos, pareceu que poderia transformar a noite em pressão. Só que a Raposa fez aquilo que os times maduros fazem: não entrou em desespero. E quando Matheus Pereira e Gerson entraram, a partida ganhou o toque de qualidade que estava faltando. Não precisaram jogar 90 minutos para mostrar a diferença. Bastou um pouco de talento para colocar ordem na casa.

É justamente essa a grande notícia da noite. O Cruzeiro conseguiu vencer um confronto difícil, fora de casa, contra um Corinthians diante da sua torcida, usando uma formação bastante modificada. O resultado teve peso. E não apenas pelos três pontos. Artur Jorge conseguiu preservar peças importantes, dar minutos a quem precisava e, ao mesmo tempo, encontrar alternativas para um elenco que precisará de todos na reta decisiva da temporada.

O Flamengo também venceu o Mirassol fora de casa e chega embalado para a decisão da Libertadores. Mas o triunfo em São Paulo tem um peso enorme. A Neo Química Arena não é um endereço qualquer, e o Corinthians está muito longe de ser um adversário que aceita ser tratado como mero figurante.

A Raposa venceu sem precisar colocar todas as cartas na mesa.

Agora, porém, acabou a brincadeira.

Quarta-feira é Libertadores. É Maracanã. É Flamengo. É jogo para colocar em campo tudo aquilo que o Cruzeiro tem de melhor.

E Artur Jorge conseguiu exatamente o que precisava neste domingo: três pontos, pouco desgaste dos principais jogadores e confiança renovada.

Os reservas fizeram a parte deles.

Agora, é com os titulares.

Angel Drumond