FOTO: MONTAGEM / REPRODUÇÃO
A manhã desta segunda-feira (10) ficou marcada no futebol brasileiro por uma notícia fora das “4 linhas”: uma torcedora palmeirense, de apenas 23 anos, acabou falecendo depois de dois dias internada em um hospital na capital paulista, após ser atingida no pescoço por uma garrafa de vidro. Gabriela Anelli estava na fila para entrar no Allianz Parque, onde Palmeiras e Flamengo se enfrentariam pela 14ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Infelizmente, Gabriela foi apenas mais um caso de violência no futebol no nosso país nos últimos dias!
No dia 21 de junho, no clássico contra o Corinthians na Vila Belmiro, membros da Torcida Jovem, principal organizada do Santos, atiraram fogos de artifícios e bombas dentro do gramado. A partida precisou ser encerrada aos 44 minutos do segundo tempo e os jogadores santistas saíram do campo sob escolta da polícia.
Após o jogo, a confusão continuou nos arredores do estádio, com membros da organizada entrando em conflito com a Polícia Militar, gerando pânico entre os moradores da região. Mesmo com diversas imagens, ninguém foi preso. O Santos acabou punido com 8 partidas sem a presença de público em partidas como mandante.
No dia anterior, ao chegar no hotel onde ficaria concentrado para a partida, a delegação do Corinthians não conseguiu descer do ônibus por conta de protestos de membros da sua organizada.
Ainda no Corinthians, na última semana, mais precisamente no dia 04 de julho, homens ligados a Gaviões da Fiel invadiram um quarto de motel, onde o atacante Luan estava. O jogador foi ameaçado e agredido. Os integrantes da organizada que participaram da barbárie postaram uma foto em uma lanchonete de São Paulo, minutos depois do ocorrido, comemorando a ação.
De acordo com matéria do Fantástico, exibida no domingo (09), dois dos acusados estiveram presos na Bolívia por conta do assassinato do torcedor boliviano Kevin Espada, de apenas 14 anos, que morreu após um sinalizador ser atirado em direção da torcida do San Jose, em duelo contra o Corinthians, pela Libertadores de 2013.
Pelas ameaças e agressões a Luan, ninguém ainda foi preso.
Quem também está jogando com portões fechados é o Vasco! O clube carioca foi punido pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) por conta de objetos que foram arremessados dentro do gramado, confrontos de torcedores com a polícia e quebra-quebra em São Januário. Tudo isso aconteceu após a derrota vascaína em casa, para o Goiás, também no dia 22 de junho. Ninguém foi preso!
As cenas de tentativas e crimes ocorrendo em estádios de futebol não são exclusivas da região sudeste do país. Na noite do último sábado (08), após a derrota do ABC para o Criciúma, em partida válida pela série B do Brasileirão, torcedores da equipe potiguar invadiram o estacionamento do estádio Frasqueirão e jogaram pedras nos carros dos jogadores.
O meia Thonny Anderson, que atua pelo ABC, relatou o caso em seu Instagram:
“Jogaram pedra a 5 metros do meu filho de apenas 2 anos de idade. Se essa pedra pega na cabeça dele, provavelmente não ia escutar mais a voz dele me chamando de papai. Mas, graças a Deus, ninguém foi atingido”
De acordo com a rádio 96FM de Natal, alguns torcedores invadiram o vestiário do ABC portando barras de ferro e pedra, e por sorte ninguém saiu ferido.
Ninguém foi preso!
O Brasil sempre ficou conhecido por nós, brasileiros, como um país que só se toma alguma atitude depois que a tragédia acontece! Mas a tragédia já aconteceu! Ela vem acontecendo todos os anos nos 4 cantos “tupiniquins”.
Os caminhos mais “difíceis” já foram tomados. Proibição de organizadas no estádio, instalação de milhares de câmeras para identificação, campanhas para conscientização, partidas sem público… Tudo foi tentado!
Apenas o caminho mais “fácil”, aquele que ninguém tentou, ainda é uma opção: Punir o criminoso!
O futebol brasileiro é um retrato do que acontece no restante do país. Leis, quase nunca aplicadas e se aplicadas, brandas demais. Os responsáveis pelo jogo, precisam de fazer algo e não sugerindo a colocação de cartazes, transmissão de vídeos educativos nos estádios, ou jogadores sentados no gramado no primeiro minuto… NÃO! Não são “apenas” pessoas que estão morrendo, é o futebol!
Se hoje alguma pessoa me perguntar se deve ir ou não a uma partida, eu respondo com um sentimento triste e incapaz de que ela deve pensar: Pensar contra qual adversário é aquela partida, Pensar se terá torcida adversário no estádio, Pensar se ela deve ou não vestir a camisa do seu clube, Pensar em qual o caminho vai fazer para chegar e sair do campo…
Se não bastasse esse tipo de violência, no Mineirão, aqui em Belo Horizonte, relatos de diversos furtos com agressões, roubos de carros, abusos contra mulheres, aparecem quase todos os finais de semana.
É parar e pensar! As ações da justiça, que deveriam existir para proteger o cidadão que vai a campo ou em qualquer outro lugar para se divertir, entreter e torcer, não existem. Logo, elas precisam ser alteradas!
Se você acredita que a punição para alguns torcedores (sim, bandidos também torcem) que acabam com o ambiente do futebol, deva ser o fechamento do estádio, reflita! Você só está punindo aqueles que ainda acreditam no futebol e que querem frequentar aquele espaço com seus amigos e familiares!
Em qualquer lugar do mundo, punição para quem comete um delito, é a cadeia! O futebol brasileiro não deve ser diferente!
Semelhança na Inglaterra
A Inglaterra ficou conhecida, durante muitos anos, como o país da violência no futebol. Na década de 80, dois casos icônicos modificaram a forma com que o país começasse a rever a trajetória de violência nos seus estádios. Para se ter uma ideia, em 1985, 39 torcedores da Juventus acabaram morrendo após uma briga com torcedores do Liverpool.
Cinco anos depois, para conter a onda de violência que destruía o futebol inglês, foi criada uma política de prevenção a violência. A ideia foi de identificar os torcedores que já haviam tido algum problema no estádio, antes dele cometer um novo crime. A aplicação de leis rigorosas fez com que, só na temporada 2012-2013, 2.456 torcedores fossem presos. Uma simples briga em um estádio inglês, faz com que o torcedor possa ficar de 3 a 10 anos proibido de frequentar uma partida de futebol.