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Após quatro meses de espera, o Campeonato Mundial de Fórmula 1 tem início na próxima sexta-feira (26) com os Treinos Livres para o Grande Prêmio do Bahrein. Afetada pelos efeitos da Covid-19 no planeta, a maior categoria do esporte a motor seguiu as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, junto com a Federação Internacional de Automobilismo (FIA), desenvolveu – ainda em 2020 – um protocolo de segurança para a realização do campeonato.
O Liberty Media – Grupo responsável pelos direitos da Fórmula 1 – possui planos um tanto ousados para 2021. Isso porque, mesmo com o avanço da pandemia, o grupo pretende realizar um campeonato com 23 etapas, passando por 22 países e cinco continentes. Se tudo der certo, essa será a maior temporada da história da F1. A primeira etapa do mundial terá a volta do público, mas com pré-requisitos a serem cumpridos: para acompanhar o evento “in loco” é necessário que o espectador já tenha sido vacinado ou tenha se recuperado da Covid-19.
O regulamento técnico da Fórmula 1 em 2021 teve pouca alteração em relação ao do ano anterior. A mudança que causará maior impacto está no assoalho, sendo parte de uma série de mudanças destinadas a reduzir o downforce dos carros em aproximadamente 10%.
O que é o Downforce?
O downforce é a força que faz o carro ‘ficar colado’ na pista. Esse efeito é causado por um aerofólio ou qualquer outro apêndice aerodinâmico que faz o ar percorrendo a superfície do carro pressioná-lo com mais intensidade sobre o asfalto à medida em que sua velocidade aumenta, gerando mais aderência e permitindo que o carro faça curvas com maior velocidade.
Com isso, é possível que se tenha uma pequena mudança na ordem de força do grid, ainda mais se considerarmos que durante os testes de pré-temporada, realizados no Bahrein entre os dias 12 e 14 de março, as equipes não esconderam o jogo.
A Mercedes por exemplo – equipe que domina a Fórmula 1 de maneira incontestável desde 2014 – mostrou dificuldades para se adaptar à nova regra. Lewis Hamilton e Valtteri Bottas, pilotos da escuderia, tiveram dificuldades em guiar o novo carro, denominado W12 , de comportamento um tanto instável na traseira. Em contrapartida, a Red Bull parece ter casado melhor com o novo regulamento e marcou o tempo mais rápido da pré-temporada com Max Verstappen.
A nova temporada da Fórmula 1 possui elementos fortes para fazer com que essa seja melhor que a do ano anterior e, possivelmente, uma das melhores na era dos motores V6 híbridos, que chegaram à categoria em 2014. Por isso, devemos dar uma atenção especial aos seguintes pontos:
Possível briga pelo título
Mercedes x Redbull
Os energéticos, que buscam o caminho da glória desde 2014, têm em 2021 a maior chance em 8 anos de conquistar o título – seja o de pilotos ou o de construtores. Os testes de pré-temporada foram muito bons para os rubro taurinos que, juntamente da Alfa Romeo, registraram a maior quilometragem em pista, totalizando 422 voltas. Quanto maior a distância percorrida, maior a quantidade de informações obtidas do carro.
Além de contar com um carro bem nascido, a Red Bull tem uma dupla de pilotos muito forte. Após dois anos sem conseguir encontrar um piloto que acompanhasse o ritmo de Max Verstappen, a equipe austríaca apostou na experiência do mexicano Sérgio Pérez para fazer dupla com o prodígio holandês. Verstappen é jovem e considerado por muitos como o melhor piloto da nova geração. Além disso, ambos vem de uma temporada muito boa. Em 2020, Verstappen terminou o campeonato em terceiro lugar, com 11 pódios e duas vitórias. Pérez, que na época corria pela mediana equipe Racing Point, terminou o campeonato em quarto lugar com uma vitória e dois pódios.
A Mercedes teve grandes percalços durante a pré-temporada. Apresentou problemas com a caixa de câmbio de Valtteri Bottas e entregou à sua dupla de pilotos um carro com um bólido arisco. Esses foram alguns dos motivos que levaram os alemães a serem a equipe com menos tempo na pista, totalizando 304 voltas. Com isso, as informações extraídas pela equipe podem não o suficiente para fazer o W12 chegar perfeito à primeira corrida no Bahrein.
No entanto, estamos falando da Mercedes, uma das – se não a – maior equipe que a Fórmula 1 já viu. Não à toa, eles são donos do maior domínio da história da categoria. São sete anos no topo. Além disso, a garagem alemã conta com a presença do piloto que – ao menos nos números – é o maior da história: Lewis Hamilton.
Pelotão intermediário: equipes
Três times que tiveram um desempenho muito semelhante em 2020 tendem a continuar brigando ponto a ponto pelo terceiro lugar no mundial, cada um com seus pontos fortes.
McLaren
A McLaren é um dos times mais tradicionais e vitoriosos da F1, porém, os últimos anos têm sido complicados para a montadora britânica e hoje ela trilha um caminho de volta aos tempos laureados. Após viver um intenso pesadelo entre os anos de 2015 e 2018, época em que os carros alaranjados eram presença constante no fundo do pelotão, a esquadra passou por diversas mudanças. A entrada de Zak Brown e Andreas Seidl consolidou a equipe como a terceira força da Fórmula 1 em 2020
A McLaren – que utilizava os motores da Renault – passa a ser impulsionada pela unidade motriz da Mercedes, a melhor da categoria. Ademais, conta com uma dupla de pilotos muito forte: o jovem e talentoso Lando Norris e o recém contratado Daniel Riccardo. Riccardo é um piloto extremamente respeitado. É considerado tanto por jornalistas quanto pelos pilotos, como um dos melhores no grid.
Com essa forte combinação, a McLaren tem um bom pacote para conquistar um ou outro pódio ao longo da temporada, se manter como terceira equipe e se aproximar das ponteiras, o que, segundo Zak Brown, é uma das prioridades.
Não estamos focados em uma equipe específica, ou quem tem qual unidade de força. Temos um objetivo em mente: fechar a lacuna para a frente do grid”, concluiu Brown.
Alpine e Fernando Alonso
Alpine é uma marca de carros esportivos que pertence à Renault e assumirá a operação da montadora aurinegra na F1. É basicamente a mesma equipe, porém com pintura e nome diferente. O que mais chama a atenção no time francês é o retorno de Fernando Alonso.
Por não ter um carro competitivo em mãos, o bicampeão deixou a Fórmula 1 no final de 2018 e buscou novos desafios em outros certames do automobilismo. Considerando os triunfos no Mundial de Endurance e o bom desempenho nas 500 milhas de Indianápolis, podemos dizer que Alonso é um dos pilotos mais completos na atualidade. O asturiano sempre se mostrou capaz de extrair o máximo dos carros que guia. Com a saída de Daniel Riccardo para a McLaren, a experiência do espanhol chega em boa hora às garagens francesas para ser companheiro de Esteban Ocon.
A Alpine também conta com mudanças fora dos cockpits. O cargo de chefe da equipe, antes ocupado por Cyril Abiteboul, não existe mais. As responsabilidades que antes eram de Abiteboul serão divididas entre o diretor executivo Marcin Budkowski e o novo diretor de corridas, Davide Brivio.
Brivio é um dos gerentes de equipe de maior sucesso na história do Campeonato Mundial de Motovelocidade. Tendo trabalhado com a Yamaha e a Suzuki, o italiano conquistou títulos de equipes e viu seus pilotos serem campeões mundiais.
Aston Martin
Se tem algo muito importante para se obter um bom desempenho na Fórmula 1 – além da habilidade e competência, é claro – é o dinheiro. E isso a Aston Martin, antiga Racing Point, tem bastante. Comandada pelo consórcio do bilionário Lawrence Stroll, a tradicional marca britânica volta a dar as caras na categoria após 60 anos de ausência, mas existem alguns fatores que podem prejudicar seu desempenho ao longo desse ano.
Primeiramente, devido a pré-temporada mediana. Assim como a Mercedes, a equipe apresentou problemas com a caixa de câmbio e foi o segundo time com menor quilometragem. Além disso, a inconsistência de Lance Stroll – filho de Lawrence e piloto da equipe – pode custar pontos importantes no Campeonato de Construtores.
Lance não é um piloto ruim, mas peca em não pontuar frequentemente, o que é essencial. Em 2020 o jovem canadense teve boas atuações na primeira metade do campeonato, mas deixou a desejar na segunda – foram poucos pontos marcados, embora tenha conquistado a pole position na Turquia e o segundo lugar no GP de Sakhir.
O outro piloto da Aston Martin é ninguém menos que Sebastian Vettel, dono de quatro títulos mundiais e 53 vitórias na categoria. É certo que Vettel não está no auge de sua performance, mas nunca se pode subestimar um tetracampeão. O alemão tem em sua nova casa um recomeço, onde o time confia em seu trabalho. Dessa forma, é muito mais fácil para Vettel recuperar sua confiança e voltar a pilotar no mais alto nível, como em seus tempos de Red Bull.
Para também ficar de olho: piloto
Mick Schumacher
Apesar de estar em seu ano de estreia, Mick chega à Fórmula 1 já pressionado. Por ser filho do heptacampeão mundial, Michael Schumacher, o jovem alemão chama muita atenção no paddock. Além disso, as comparações com seu pai serão inevitáveis. Ao se sagrar campeão da Fórmula 2 em 2020 com duas vitórias e dez pódios, Mick mostra maturidade e habilidade suficiente para ter seu espaço na principal categoria do esporte a motor.
Tendo em vista que a Haas, equipe pela qual vai competir, é um time que costuma ocupar o fundo do pelotão, Mick precisará de tempo para se adaptar ao novo ambiente. Além disso, seu maior objetivo será superar o companheiro de equipe Nikita Mazepin – que conseguiu alguns momentos de destaque na F2, mas não mostrou ser um piloto excepcional.
A largada para o Grande Prêmio do Bahrein acontece às 12h no próximo domingo (28) e será transmitido pela TV Bandeirantes. A última vez que a F1 esteve no Bahrein, uma corrida emocionante e com grandes ultrapassagens como essa aconteceu:
Last time we went racing in Bahrain…
Overtake of the season from @GeorgeRussell63 👏👏👏#BahrainGP 🇧🇭 #F1 pic.twitter.com/zIuiVkljX1
— Formula 1 (@F1) March 22, 2021
Para mais detalhes da temporada 2021 da Fórmula 1 e Fórmula 2, com todo o calendário e suas etapas, trazendo análises e entrevistas com pilotos da nova geração brasileira e especialistas do assunto, acompanhe as matérias na aba “automobilismo” no portal Deus Me Dibre!